Por que tantas pessoas hoje têm crises de ansiedade — sinais, causas e o que fazer para prevenir

A ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras. Em níveis moderados, essa resposta pode até aumentar foco e performance — ela faz parte do nosso sistema de alerta biológico.
No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva, persistente e interfere no cotidiano, ela deixa de ser útil e pode se transformar em um transtorno psíquico sério, incapacitante e cada vez mais comum no mundo contemporâneo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade são os distúrbios mentais mais comuns do planeta, afetando mais de 359 milhões de pessoas em 2021 — e menos de 1 em cada 4 recebe tratamento adequado.

1. O que são crises de ansiedade

Embora muitas pessoas usem a expressão “crise de ansiedade” de formas variadas, em termos clínicos ela costuma se referir a episódios de medo ou angústia intensos que surgem de forma súbita ou progressiva, com sintomas físicos e psicológicos fortes.

Os sintomas podem incluir:

  • Palpitações e coração acelerado
  • Tensão muscular e tremores
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento
  • Sudorese intensa
  • Pensamentos rápidos ou difíceis de controlar
  • Sensação de perigo iminente ou pavor

Quando esses episódios são especialmente intensos e atingem um pico em poucos minutos, podem corresponder a ataques de pânico, que são um tipo específico de crise de ansiedade.


2. Por que a ansiedade tem aumentado tanto hoje em dia?

Não existe uma única causa para o aumento dos quadros de ansiedade — elas são resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais que se agravaram nas últimas décadas.

A. Estresse constante e sociedade acelerada

Vivemos em um mundo com ritmo extremamente acelerado, onde:

  • A competição no trabalho é intensa
  • A pressão por sucesso e produtividade é constante
  • As mudanças sociais e tecnológicas ocorrem rapidamente

Esse cenário aumenta níveis de estresse crônico, que é um dos maiores gatilhos para a ansiedade.

B. Exposição digital — redes sociais e comparação social

O uso excessivo de internet e redes sociais é fortemente relacionado ao aumento de sentimentos de inadequação, comparação social e preocupação constante com a própria imagem.

Pesquisas indicam que interações online, sensação de julgamento e necessidade de aprovação virtual podem contribuir para a ansiedade, especialmente em adolescentes e jovens adultos.

C. Incertezas econômicas e instabilidade

Crises econômicas, inflação, medo de desemprego, falta de segurança financeira e desigualdades sociais são fatores que aumentam a ansiedade em grande parte da população — não apenas individualmente, mas socialmente.

D. Pandemia e impacto psicológico

A pandemia de COVID-19 foi um evento global traumático que elevou drasticamente os níveis de ansiedade em vários grupos, especialmente em jovens — com interrupção das rotinas, isolamento social e medo da doença. Estudos mostram que sintomas ansiosos aumentaram significativamente após as medidas de distanciamento.

E. Conscientização e diagnóstico mais frequente

Parte do aumento também pode ser explicada porque hoje as pessoas entendem mais o que é ansiedade, procuram ajuda e recebem diagnóstico profissional — algo que no passado era menos discutido e mais estigmatizado. Ainda assim, dados mostram que o problema é real e crescente.


3. Sinais de alerta: como identificar uma crise ou transtorno de ansiedade

Embora cada pessoa experimente ansiedade de maneira diferente, alguns sinais merecem atenção médica ou psicológica:

Sintomas físicos

  • Palpitações ou batimentos acelerados
  • Sensação de falta de ar
  • Tensão muscular e tremores
  • Sudorese, náuseas ou dor no peito
  • Problemas de sono (insônia)

Sintomas psicológicos

  • Preocupações excessivas e constantes
  • Dificuldade de concentração
  • Irritabilidade sem causa aparente
  • Medo intenso de situações sociais ou de novas crises
  • Pensamentos negativos recorrentes

Se esses sintomas interferem na rotina, trabalho, estudos ou relacionamentos — especialmente se duram semanas ou meses — é importante buscar avaliação com um profissional da saúde.


4. O que fazer para prevenir crises de ansiedade

Não existe um “remédio milagroso”, mas há estratégias cientificamente apoiadas que podem ajudar a prevenir ou reduzir quadros ansiosos:

🌱 A. Estabelecer rotina de sono

Dormir bem fortalece a regulação emocional e reduz a hiperatividade do sistema nervoso responsável pela ansiedade.

🧘 B. Exercícios físicos regulares

Atividades como caminhada, corrida, yoga ou musculação liberam neurotransmissores que reduzem o estresse e aumentam sensação de bem-estar.

🧠 C. Prática de atenção plena (mindfulness)

Técnicas de respiração, meditação e atenção plena ajudam a desacelerar pensamentos acelerados e a trazer foco ao presente.

🤝 D. Conexões sociais

Ter suporte de amigos e familiares, falar sobre suas experiências e manter relações saudáveis diminui a sensação de estar sozinho diante dos desafios.

🧑‍⚕️ E. Terapia psicológica

Terapias cognitivo-comportamentais e outras abordagens ajudam a identificar gatilhos, modificar padrões de pensamento e desenvolver habilidades para enfrentar situações estressantes.

💊 F. Tratamento médico quando indicado

Em casos moderados a graves, o acompanhamento psiquiátrico e, se necessário, medicamentos prescritos podem ser fundamentais para o controle dos sintomas.


5. Quando buscar ajuda profissional

Procure ajuda de um profissional de saúde mental se você:

✔️ Tem sintomas físicos constantes ligados à ansiedade
✔️ Evita situações por medo de sofrer uma crise
✔️ Sente que a ansiedade atrapalha seu trabalho ou vida pessoal
✔️ Pensamentos ansiosos não melhoram com rotina de autocuidado

A combinação de uma avaliação médica com acompanhamento psicológico oferece a melhor chance de recuperação e qualidade de vida.


6. ansiedade é real — e tratável

A ansiedade não é “frescura”, nem um simples medo exagerado — é uma resposta biológica e psicológica que pode se tornar crônica, incapacitante e muito comum na sociedade atual por conta de fatores como:

✅ Estresse constante
✅ Pressões sociais e econômicas
✅ Uso intensivo de tecnologia e redes sociais
✅ Impactos pandêmicos e incertezas globais
✅ Maior conscientização e diagnóstico profissional

A boa notícia é que a ansiedade pode ser prevista, gerenciada e tratada com medidas práticas no cotidiano e, quando necessário, com ajuda de profissionais especializados.

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